domingo, 26 de abril de 2009

FRACASSOS ESTATAIS – 04

COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL


Fundada em 1941, a Companhia Siderúrgica Nacional comemorou suas Bodas de Ouro com os métodos de gestão estatais em 1991. Os resultados do longo casamento foram simplesmente devastadores. A empresa chegou às portas da bancarrota e quase deixou de existir. Os vícios mórbidos do estatismo se haviam incrustado profundamente na estrutura da companhia: politicagem, empreguismo, corrupção, máfias, quotas, nepotismo, prejuízos, etc. eram lugares comuns.

O quadro de funcionários, inchado, tinha 23.700 empregados e centenas de cargos de chefia desnecessários. A forte influência do sindicato dos metalúrgicos, ligado à CUT; e das comunidades eclesiais de base, vinculadas à Igreja Católica; gerava um clima de permanente confronto entre a diretoria e os empregados, engessando a vida e as atividades normais da companhia. Entre 1984 e 1989, ocorreram 10 greves, média de duas por ano. E em todas, sempre, a ameaça de paralisação dos altos-fornos, operação de imenso risco para uma siderúrgica.

Em março de 1990, quando assumiu o governo Collor, a CSN se encontrava em estado terminal. Foi difícil encontrar um presidente para a empresa, até a designação do engenheiro Roberto Procópio de Lima Neto. Ao deixar o cargo, Lima Neto publicou um livro narrando a saga de salvação da CSN: Volta por Cima.

A situação econômica da companhia, em abril de 1990, descrita naquela obra, era assustadora. Os salários atrasados em média sete meses. As linhas que produziam chapas zincadas paradas por falta de zinco, e as de folha de flandres já quase inativas por falta de estanho. Havia inadimplência com 44 bancos, fornecedores, transportadoras, Rede Ferroviária, Light, Vale do Rio Doce, Docenave, Docas do Rio de Janeiro etc., além de todas as siglas referentes a impostos e contribuições, federais, estaduais e municipais, inclusive os recolhidos na fonte, o que constituía crime de apropriação indébita. O passivo total era de US$ 2,6 bilhões, e o caixa zero.

Além do desastre econômico, a administração governamental da CSN também redundou em imenso prejuízo ambiental para a bacia do Rio Paraíba do Sul, onde eram despejados os efluentes daninhos da usina de Volta Redonda. A tal ponto que, ainda em setembro de 1988, o Estado do Rio de Janeiro impetrou na Justiça Federal ação civil pública visando condenar a CSN a indenizar a recomposição daquele ecossistema, atingido por sua atividade industrial.

A ironia final do destino fez com que, em 2005, a CSN, já então privada, isto é seus atuais acionistas, fosse condenada a pagar pelos desmandos dos tempos de estatal. Na sentença, a Juíza anotou os progressos obtidos: “... A empresa ré foi privatizada em 1993, aumentou substancialmente a produtividade e alterou o nível de emissão de poluentes. (...) Cumpre salientar o fato notório de que, alguns anos após a privatização, a CSN sob nova administração, passou a adotar uma política de gestão ambiental de vanguarda, bem como a investir seriamente em processos industriais mais limpos e eficientes. (...)”

Entretanto, nas manifestações finais, a juíza enfatizou que essa mudança radical e louvável na atitude da empresa não tinha o condão de eximi-la da responsabilidade pelos erros do passado. E condenou a CSN a proceder a reparação dos danos ambientais pretéritos, causados ao ecossistema por sua atividade industrial, enquanto ainda gerida pelo Estado.

Nunca é tarde para relembrar fracassos estatais como o da CSN, sobretudo numa fase em que o governo, por simples voluntarismo imediatista, segue enveredando em senda tão obsoleta, caricata e comprovadamente ineficaz. No entanto, como não existe almoço grátis, os prejuízos da irresponsabilidade atual serão pagos pelas próximas gerações de brasileiros, tanto quanto, hoje, o Rio Paraíba do Sul ainda paga pelos erros da CSN.

3 comentários:

  1. Realmente você tem razão com comentários sutis você expressa com clareza toda esta droga que já vem malhada antes de eu nascer, que são estes nossos governantes. Um grande abraço e muita saúde para você continuar a ser este brilhante escritor.

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  2. O estatismo,presença equivocada do estado em setores que não fazem parte de sua "expertise",criou anomalias que parecem ser inssolúveis e só defende os estatismo aqueles que vivem das tetas públicas; essa sim, a verdadeira elite, que diga-se de passagem, são mantidos com o meu, o seu e o dinheiro daqueles que não conhecem um fim de mês no azul. Ao contrário dos proxenetas e vampiros do fudencionalismo público que vivem no Brasil da Alice.

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  3. Favor desconsiderar o "s" a mais de insolúvel.

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